domingo, agosto 18, 2002


Eu gosto muito de astrologia. Eu sempre gostei muito. Tanto é que quando adolescente tinha uma lista com o nome de todos os carinhas que eu ficava e seu respectivo signo. Eu me contorcia pra ter tal informação, sem poupar esforços. Algumas vezes eu perguntava, mas as vezes escapava tal oportunidade e eu ficava tentando resolver como faria pra ficar sabendo.
O irmão de uma amiga estava no CPOR o que nos gerava um grande número de festas. Estava numa dessas e conheci alguém por lá. Ficou aquele clima e tal e ficamos. Mas eu consegui estragar a história por que ele me pediu pra namorar e sabe o que eu respondi? Namorar é um verbo que não se encontra no meu dicionário. Sério. Se fosse eu no lugar dele eu batia... na cara... mas ainda bem que ele era gentil o bastante pra não cometer tal ato e ainda continuou comigo até o final da festa.
Sai de lá e não fiz a fatídica pergunta: Quando é o seu aniversário?
Na festa seguinte é claro que ele fez questão de desfilar na minha frente acompanhado, mas nem fez muito efeito por que eu também estava. Época de fartura essa!
Mas ficou aquele vazio. Na frente do nome dele havia um vazio...qual seria o seu signo? Perguntar? Jamais.
Eis que o irmão da minha amiga viaja com o grupo do CPOR pra um treinamento ficando uma semana fora. Surge a idéia. Tinha o nome completo do indivíduo e era um sobrenome pouco comum, no catálogo deveria ser fácil de achar. Procuramos e com uma certa facilidade localizamos o telefone dele. Para que? Eis a idéia:
Tuuu
Tuuu ( barulhinho ouvido no telefone quando discamos para alguém)
-Alô.
-Boa tarde, eu gostaria de falar com o Fulano?
-Olha, ele não está, ele viajou.
-Ah , sim, ele volta que dia?
-Só na outra semana.
-Nossa...que pena! Sabe o que é? Meu nome é Cicrana ( falei um nome qualquer) e eu sou amiga dele. Estou indo fazer um intercâmbio na Suíça e gostaria de me despedir dele. Só que embarco em dois dias...
-Poxa, é uma pena mesmo, você quer deixar algum recado pra ele?
-É claro, a Sra. Diz a ele que deixei um abraço e que escreverei pra ele quando chegar lá! Ah, deixa eu aproveitar e perguntar uma coisa. Quando é o aniversário dele? Para eu poder mandar um cartão de aniversário...


Péssima fisionomista Parte II

Eu tinha 15 anos e como uma adolescente muito bem relacionada passava todos os meus finais de semana em festinhas de 15 anos. Numa dessas avistei um carinha muito bonito, e falei pra mim mesma:- Eu vou ficar com ele. Mas não neurei, ao contrário, curti muito a festa. Estava bem dançando e eis que chega alguém querendo me conhecer. Quem? O próprio, o bonitão de camisa branca. Como era dotada de um grande poder é claro que fiz cumprir minha fala e fiquei com o tal.
Uns 5 dias depois estava parada num ponto de ônibus da Tamoios, o da Igreja São José esperando o ônibus tranqüilamente. Eis que olho pro lado e vejo um carinha muito bonito parado também. Poxa. Está até agradável esperar o ônibus agora. Olho novamente, ele olha pra mim e sorri. Poxa... ele está olhando. Olho para o outro lado, finjo de difícil e quando olho novamente ele faz uma cara de interesse e demonstra querer dizer algo. Eis que olho pra frente e vejo meu ônibus chegando. Acabou minha paquera do dia. Subo no ônibus e olho pra trás, ele dá tchau. Procuro um lugar pra me assentar e eis que vem uma luz tardia acabar com toda a minha pose de conquistadora de pontos de ônibus.
Era o carinha da festa tentando me cumprimentar...

sexta-feira, agosto 16, 2002


Tiradentes parte II

Era quinta feira véspera de carnaval e ainda não tinha para onde ir. Eis que minha mãe anuncia sua ida para a fazenda da família do meu cunhado, próxima a Tiradentes. Eis que vem aquela idéia revolucionária. Tiradentes, São João Del Rey... hum... Descobri então que o cunhado do meu cunhado teria uma pousada em Tiradentes. Liguei e fiz com que ele arrumasse uma vaga lá para que eu pudesse ir. Tudo certo, melhor carnaval não poderia arrumar em tão pouco tempo. Fomos em 2 carros, pois um ficaria comigo em Tiradentes e o outro com meus pais e minha irmã na outra cidade. Na saída de BH naquele engarrafamento infernal meu cunhado solta o clássico “o último a sair da cidade apaga a luz”e fomos rumo ao Carnaval providencial!
Após deixar todo mundo na fazenda rumamos, eu e uma amiga para a liberdade de um primeiro Carnaval numa cidade divertida, motorizadas, com dinheiro no bolso e sem pai e mãe por perto! Era tudo o que eu queria!
Chegamos na pousada, casarão antigo com o chão de madeira, daquelas que ecoam a casa inteira. Os donos eram hippies e nos deixou bem à vontade para até usarmos a geladeira deles para colocarmos nossas cervejas. Sim, eu havia levado um estoque pra lá! Tudo pronto, fomos pra praça curtir a multidão. Atravessamos a ponte ( a Pousada é em frente à ponte) e pronto, estávamos na praça. E assim fazíamos todos os dias, e à noite seguíamos para São João Del Rey com nossas blusas onde estava escrito: Olha pra quem te comeu, se não olhar, fui eu. Que cabeça ruim pra usar uma blusa dessas. Mas tudo bem, fazia muito sucesso. Eis que um dia acordo de manhã e falo...
-Estou escutando a voz da minha mãe.
Minha amiga: - Você ainda está bêbada? Tá doida?
- Juro, estou escutando a voz da minha mãe.
- É ..você ainda está bêbada...
E não é que tinha uma galera da minha família na sala da pousada? E a gente com aquela camisa escrota de "olha pra quem te comeu”.
Por que pai e mãe têm essas idéias terríveis de visitar filhos em pleno carnaval?

segunda-feira, agosto 12, 2002


Péssima fisionomista Parte I

Sou uma péssima fisionomista. Sempre passei constrangimentos não reconhecendo pessoas as quais já faziam parte da minha vida de certa forma. Era só elas mudarem de lugar, era só eu perder o ponto de referência da pessoa e pronto, nada de saber quem é.
Estava numa cidade próxima visitando uma amiga e como é de praxe, saímos para os bares da vida. Lá avistei um carinha o qual achei muito interessante, e ele ficou olhando muito... só que naquela noite específica estava meio enrolada para conhecer tal figura. Como ele estava de blusa verde e não sabíamos seu nome o apelidamos de Azeitona.
Numa próxima ida àquela cidade perguntei para minha amiga se ela tinha visto o Azeitona por aqueles dias e ela afirmou que sim. Saímos naquela noite e conversa vai, conversa vem, eis que ela me avisa.
-O Azeitona está ali.
- Onde?
- Ali, de blusa amarela.
- Não ..não é ele...
- É ele sim, só que de blusa amarela...
- Mas eu não lembrava dele assim ( feito se eu conseguisse lembrar de alguma coisa )

E nessa confusão de era ou não era o Azeitona eis que ele chega na gente para conversar. Aproveitei para perguntar se ele frequentava o bar que o teríamos visto, ele diz ir lá raramente.
Falando bem baixo: - Ele não é o Azeitona
- É sim...
- Mas ele nem freqüenta o bar...
- É ele sim....

No fim eu estava convencida de que ele era o Azeitona, mas não totalmente.
Passaram-se alguns meses e lá estava eu naquela cidade para uma festa no Parque de Exposição. E lá fui eu toda animada para a festa.
- O Azeitona está ali.
- Onde?
- Ali na frente... calça preta, camisa vinho.
- Ah , tá... lá dentro do parque a gente cumprimenta ele.
Meia hora depois...
( eu ) - Aqui, eu perdi o Azeitona.
- Como assim, eu te mostrei ele na entrada, você até guardou a roupa dele.
- É que jah achei 3 caras de calça preta e camisa vinho.
( olhar maligno da minha amiga )
- Vamos lá que eu vou cumprimentá-lo e aí você o cumprimenta também.
- Ok.
E saímos pelo parque e então ela localiza o Azeitona certo. Conversamos até, aliás, ela conversou até com ele e eu calada. Estranho, né? Mas aí apareceu uma deixa que eu não lembro qual que eu proferi alguma coisa. Lembro do comentário dele. Foi algo mais ou menos me chamando de sarcástica e engraçada e dizendo que admirava isso em mim. Imagino alguns leitores sorrindo e pensando: O sarcasmo dela vem de longe...

Bem, nessa noite tudo ocorreu bem.
Na noite seguinte me senti naquele esquema de “Onde está o Wally?”
Procuro o Azeitona por todos os lados. Não o encontrei. Ele me encontrou... e eu ainda fiz aquela cara de “quem é você?” por alguns décimos de segundo, afinal de contas ele estava com uma calça jeans e uma blusa vermelha, totalmente diferente da noite anterior. Era querer demais de mim.

domingo, agosto 11, 2002


Existe uma coisa que eu gosto muito de comer que é Risoto ao Funghi. Modéstia parte eu faço tal prato muito bem feito, e estava aqui lembrando de onde veio toda a minha história com tal especialidade.
Estava no sítio do pai de uma amiga e eis que surge um vizinho daqueles muito gentis, que você enjoa do tanto que ele é gente boa.
Pois é, ele era recém casado e tinha a “mania” de dar uma de gourmet, nos fazendo de cobaias de suas receitas mirabolantes. Certo dia fomos convidados para jantar no sitio dele. Tentamos escapulir com algumas desculpas bem furadas, mas o pai da minha amiga não quis muito papo e fez com que fossemos todos ao tal jantar. Tudo bem, não ia ser eu quem iria encarar o Sr. Nelson, colecionador de espingardas e militar de coração, quando ele falava parecia uma ordem de comando e todos batíamos continência. Às seis horas da tarde hasteava-se a bandeira brasileira ao som do hino nacional, mas isso será um outro post.
E lá fomos nós, jantar o tal risoto de sei lá o quê que o tal vizinho disse ter desenvolvido a partir de um que comprava pronto tipo miojo.
Chegando lá a recepção estava boa...Vodka Russa da melhor qualidade ( não me lembro se era Stolichnaya ) congelada pra ajudar no frio que congelava meus ossinhos. Papo vai, papo vem, hora de servir o jantar. Ligeiramente dominadas pela Vodka nos servimos e fomos pra varanda jantar sossegadas e livres do papo de aranha do “querido vizinho”. Poxa... que coisa grudenta...estranha... cheia de uns pedaços arroxeados e molengos... ixi..está parecendo coisa mal cozida... solução: fizemos lance livre para o cachorro com tudo aquilo que ameaçava se mexer no prato. Meio fugida do “querido vizinho” apareceu na varanda e esposa do pai da minha amiga, que veio sentar-se com a gente um pouco.Contamos nossa solução para tais elementos não identificados na comida e ela com uma cara de quem queria nos matar diz: - Quer dizer que vocês jogaram fora todos os pedaços do funghi caríssimo de mais de sei lá quantos de dinheiro que custa? Vocês não provaram? É maravilhoso ... vocês são duas lesadas.
Com cara de indignação e espanto ficamos vendo o cachorro abanando o rabo com cara de “desse aí que você me deu agora a pouco, tem mais não?”.
E lá fomos nós, rabinho entre as pernas, colocar um pouco mais da comida pra ver que gosto que tinha tal especiaria.
E cá estou eu, rabinho entre as pernas, contando que fiz a mesma coisa que o vizinho de sítio lá fez. Consegui desenvolver a receita do Risoto a partir do Risoto a Villagiana, pacotinho estilo Miojo, muito bom por sinal....


Um dia meus pais estavam indo a uma festa e então chamei uma amiga pra dormir na minha casa para não ficar sozinha. Os gatos saem, os ratos fazem a festa. Naquela época funcionava o fatídico 145, Disk Amizade, os bate papo da net daquele tempo. Enjoamos de tal brincadeira. Eis que me lembro de uma festa junina que acontecia na rua de baixo.
- Vamos?
- Claro!
Mas antes vamos beber. O que? Hi Fi era nossa bebida predileta da época.
- Tem Vodka?
- Não ...
- O que tem?
- Pinga...
- Ah , então faremos HI Fi com Pinga. Tem Fanta?
- Não ... tem laranja...
Pronto. Resolvido. Nosso Hi Fi seria suco de laranja com pinga, intitulado por nós como Hi Fi de pobre.
Bebemos aquela coisa horrível e fomos para a tal festa junina. Vestidas como? Calça jeans, jaqueta jeans curtinha na moda da época, mocassim e é claro que tínhamos franjinha no meio da testa como todas as outras adolescentes. A única diferença era meu jeans ser escuro e o da minha amiga ser claro.
Bem, não paramos por aí. Resolvemos que garotas boazinhas não faziam sucesso entre os gatinhos.
Primeiros carinhas que nos pararam na festa:
- Oi , tudo bem , qual é o nome de vocês?
- Meu nome é Sillllvia... ( arrastando a voz )
- E o seu?
- Raqueeellll ( anasalando a voz no E )
- Onde vocês estudam?
- No Dom Cabralllll ( considerado por nós um colégio cheio de meninas frescas )
E não é que naquela noite Silvia e Raquel conseguiram conhecer metade da festa e foram o sucesso?


Teve uma certa época que a internet era uma grande parte da minha vida. Tanto é que ainda tenho grandes amigos dessa época, muitos dos quais estão lendo estas linhas. Era uma época que eu tinha uma linha 0800 da extinta Telemig a qual um amigo ( de internet claro!) havia me cedido pois ele não usava. Como eu trabalhava 3 x por semana pela manhã vocês imaginam onde eu passava o resto do dia, né? Eis que nessa vidinha conheço uma turma e em especial uma figura com a qual nos identificamos (eu e a Lu, que era outra àtoa na vida) pois tinha fama de ser cachaceira. Ela dispensa comentários.
Churrasco na casa da fulana, vocês estão convidadas.
E lá fomos nós ( Eu, Lu e Martella ) ao tal churrasco.
- Pai, tenho um churrasco pra ir hoje, vou pegar o carro, tá?
( cena: meu pai encerando o carro que até ofuscava de tanto brilho que emitia)
- Nem pensar, se quiser ir vai de ônibus.
- Pai , o churrasco é lá na PQP, vc nem vai sair de carro e tal...
- Não e blá blá blá blá blá
(eu tendo um ataque histérico mas de nada resolveu )
Minha irmã então perguntou onde era o tal churrasco e falou que nos levava lá. Eis que nos embrenhamos por lados de BH que eu nem imaginava existir e tinha a sensação de jah estar na divisa com o Espírito Santo , de tanto que andamos na BR 262...
Após algumas voltas conseguimos localizar o tal bairro e resolvemos telefonar para a nossa amiga internáutica para que ela nos localizasse.
O diálogo foi mais ou menos assim:
- Oi tudo bom, estamos aqui no bairro, na rua X, como chegamos aí?
- Ah, você anda uns 2 quarteirões, vira à direita , a esquerda , sobe , desce , contorna, gira, dá uma pirueta e aí você verá uma rua que termina num Y. Você segue à direita e chegou.
E viramos, demos as piruetas necessárias e nada de Y.
- Mas não conseguimos localizar nenhuma rua terminado em Y. Só tem uma que forma um W.
- Não, é um Y, vocês devem estar no local errado. Calma que vou até aí.
Aguardamos.
- Vocês devem estar numa rua errada. É um Y, e não um W.
- Mas fizemos tudo certo e tem um W na nossa frente. Vamos sair daqui então.
Eis que quando arrancamos o carro paramos no meio da rua com uma pessoa conversando no celular. Perguntinha básica:
- Por um acaso vocês estão num Palio?
- Sim. Por um acaso você está impedindo o trânsito parada à nossa frente prestes a ser atropelada?
- Sim.
- PQP, vc está no W, isso não é um Y!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
- Ah é? Pra mim isso era um Y.
E assim chegamos a um churrasco que mudou para sempre a história de nossas vidas.

Era sábado à tarde e fui pra casa da minha amiga como era de praxe fazer. Os “meninos da rua”, como carinhosamente chamávamos seus vizinhos jogavam vôlei no quarteirão fechado da rua Bicas e nós como torcedoras oficiais não perdíamos uma partida sequer. Sentadinha no meio fio assistindo àquele show de cortadas estrambóticas estava aquela garotinha loirinha, simpática, falante e engraçada que narrava o placar e fazia os comentários do jogo bem ao estilo futebol na MTV atual. Eu. Eis que senta-se ao meu lado o cara mais gato do time, aquele que nunca nenhuma de nós tinha ousado falar oi sequer tamanha seria a ousadia de tal ato.
- Cansei.
- Poxa, mas tem um tempão que vocês estão jogando também.
- É. Qual é o seu nome?
Gelei. Ele quer saber o meu nome. Ele se interessa em saber meu nome. Olhares da minha amiga diziam: amiga , ele é o bilhete premiado da loteria, você está com sorte!
Respondi e de imediato perguntei o dele também , como se eu não soubesse até seu cpf . É , a gente era assim. Investigava até a marca da cueca que o menino usava. Fazia praticamente um book de informações dos carinhas interessantes que viviam ao nosso redor e trocávamos informações constantemente com outros grupos de espiãs que nos forneciam material ( amigos, vizinhos, irmãos ) em troca dos nosso materiais.
Surgiu então o inicio daquilo que seria uma seqüência de encontros. Conversa vai, conversa vem, abro minha carteira ( da Rato de praia, objeto de consumo da época ) provavelmente para entregar dinheiro para comprar algum picolé ou coisas do gênero, afinal ,naquela época beber era exclusividade para os aniversários de 15 anos, os quais eu freqüentava semanalmente devido ao meu grande laço de relações sustentado com uma certa queda no quesito quantidade atualmente. Voltando à abertura da carteira eis que tinha uma foto minha meio aparecendo e o bonitinho lá pediu pra ver. Poxa, eu de chapéu, uma foto muito démodé, mas eis que vem a pergunta: -É a Madonna? Eu não sabia se ria, se chorava, se fingia não ter entendido e perguntava de novo. Optei por essa terceira hipótese. Ele com ar de quem estava realmente em dúvida repetiu sua humilde pergunta. Foi minha glória. Ele me confundiu com a Madonna. Ganhei o dia, ganhei o final de semana, ganhei o cara? Algum tempo depois vim a saber que ele não gostava de música pop e nem sabia como era a Madonna, ou seja, era uma pergunta completamente imbecil da parte dele e eu não parecia em nada com a Madonna, afinal de contas nem saber se ela tinha 2 olhos , boca e nariz ele sabia.


sábado, agosto 10, 2002

Tiradentes Parte I

Recebi meu exemplar mensal da revista Cláudia cozinha e me dispus a ler suas matérias aproveitando aquele não fazer nada de sábado, meio dia. Neste mês veio uma reportagem sobre o festival gastronômico de Tiradentes, ressaltando as proporções que tal evento vem tomando nos seus 5 anos de vida. Cheio de receitas bem mineiras fui lendo a revista e foi vindo aquela sensação de boas lembranças daquela cidade. Lembro-me da primeira vez que fui a Tiradentes. Excursão da galera da Fafich organizada pelo Sabbath, coisas de encontrar às 6 da manhã em frente ao Hotel Financial e ir bebendo a viagem toda fazendo um acorde com típicos faficheiros que não se pareciam muito comigo no seu jeito de ser, mas que naquele momento me faziam uma faficheira típica também. Primeira parada São João Del Rey com visitas às igrejas, pegar a Maria Fumaça e ir pra Tiradentes. A Patrícia teve o insight de irmos para Tiradentes direto, visitar igreja não seria nosso programa predileto e em Tiradentes teria uma praça cheia de bares... Bem, digamos que a mim ela não demorou convencer, concordam? E lá fomos nós, meia dúzia de recém universitários conhecer o que Tiradentes tem. Consigo descrever aqui em uma linha: Igreja, chão de pedra, chafariz, uma ponte e uma praça cheia de bares em volta. Mas Tiradentes é só isso? Não. Tiradentes faz parceria com Búzios no quesito cidade com magia. Na minha opinião são essas as duas cidades que têm habilidades hipnóticas em relação aos seus visitantes. Mas tudo bem, continuarei contando como foi minha “primeira vez” em Tiradentes. Chegamos, atravessamos a ponte, cumprimentei os burrinhos que lá ficam “estacionados” aguardando turistas para montá-los e chegamos à praça. Já? Sim , andamos uns 30 metros e jah conhecemos 2 itens da linha supra citada. Tiradentes é uma cidade de boneca, de brinquedo, não parece real. Sentamos à beira do meio fio numas mesinhas de ferro e iniciamos nossa trajetória na cevada. Conversas mil, conhecemos diversos habitantes da cidade que, nessa época, não tinha tanta repercussão nacional como nos dias de hoje e então a nossa presença era de certo destaque na cidade. Visitamos lojas, iniciei minha coleção de pedras semi preciosas ali naquele dia ( coleção a qual não foi muito pra frente, nos dias de hoje elas sobrevivem no meu aquário). Descobrimos um clube na cidade e como estávamos azuis de calor fomos parar lá. Quando o resto da excursão chegou à cidade jah estávamos fazendo parte do cenário, e não conseguimos nos reintegrar à excursão. Voltar pra casa foi como um martírio, mas tudo bem, dormi a viagem praticamente toda, cerveja relaxa. Esse foi o primeiro capítulo de Tiradentes.